quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

tempo e narrativa


2 comentários:

Carla Martins disse...

Li umas três vezes e ainda estou tentando entender... De acordo com o momento a narrativa do mesmo fato poderia ser diferente e ela se dá através das experiências até ali?! Ou não tem nada a ver? :/ Deu nó.

Danilo Cruz. disse...

Sou incompetente bastante para lhe responder, por isso valer-me-ei de alguns excertos de dois textos para tentar explicar.

O primeiro é o artigo "A relação entre a identidade narrativa de Paul Ricouer e a identidade política de Hannah Arendt" das autoras: Profª. Drª. Geórgia Cristina Amitrano e Edilene Maria da Conceição, observe:

"(...)Para Ricoeur a identidade é a identidade narrativa. Não há como compreender a identidade pessoal sem o auxílio da narração, pois o sujeito tem a possibilidade de construir sua própria narrativa.(...)"

"(...)A identidade narrativa em Ricoeur não é meramente descritiva; tem uma dimensão moral, de engajamento, de compromisso. O sujeito dessa identidade pode ser reconhecido no tempo, apesar das transformações.(...)"

"(...)A mediação narrativa sublinha o caráter notável do conhecimento de si próprio: ser uma interpretação de si próprio. Se não é possível um conhecimento direto de nós próprios, nada nos impede uma mediação interpretativa de nós mesmos, através do uso de uma linguagem narrativa. (…)"

O segundo é de Domenico Jervolino da Universidade Federico II de Nápoles que em sua obra “Introdução a Ricoeur” - São Paulo: Paulus. 2011. p. 61-62, tratando especificamente sobre essa passagem diz:

"…o 'tempo narrado' é em certo sentido, um terceiro tempo que medeia o conflito entre 'tempo do mundo' (Aristóteles) e 'tempo da alma' (Agostinho): é o tempo da historicidade humana, o tempo dos homens que agem e sofrem e que narram as histórias de suas vidas…"

Deixa eu tentar exemplificar:

1)Carla jogadora de vôlei é campeã olímpica (eis um fato do mundo, um fenômeno que ocorreu, uma mulher jogadora foi campeã olímpica);

2) Você Carla, em seu sentimento, em sua subjetividade, em sua pulsão de emoção, tem a experiência, em sendo jogadora de vôlei, de ser campeã olímpica (eis um fato interno, seu.);

3) Você Carla ao narrar sua experiência, em determinado momento de sua vida, em ser campeã olímpica faz com que sua narrativa atinja pleno significado tornando-se condição de sua existência temporal! Fecha assim explicação acima do Domenico com a passagem de Ricoeur.

Desculpe se não expliquei direito…