segunda-feira, 1 de junho de 2015

Sobre os canalhas institucionais...


"Os canalhas se amontoam por todos os lados, entre eles, o canalha institucional. (...) Este fala sempre no coletivo, esmaga todos à sua volta, cuspindo regras e decisões coletivas cujo objetivo é apenas se esconder de seu medo maior, sua mediocridade individual. O enfrentamento indivíduo-indivíduo é seu maior medo, porque sua individualidade é nula. Ser indivíduo é um ônus que poucos suportam."

PONDÉ, Luiz Felipe. A filosofia da adúltera: ensaios selvagens. São Paulo: LeYa, 2013. p. 49.

2 comentários:

Dyego Phablo disse...

Fantástico!! Isso mesmo! Olha só, outro dia fui na Riachuelo e, lá, tive a notícia de que - pasme! - não se pode pegar a cópia do contrato assinado pela própria pessoa. Assim: você faz um contrato e não estão "autorizados" a lhe fornecer a cópia - sim! - daquele contrato assinador por... você! Solução? Dão um contrato de "enfeite", em branco, sem assinatura, um contrato-modelo. Mas do que adianta, se eu quero a cópia do que assinei justamente para provar uma dada situação jurídica? Bueno, a funcionária disse: "Olha, são regras da instituição, não posso, é o sistema que não me permite". Bingo!! O "sistema" (coitado do Luhmann!). Bateu uma vontade de falar: "Pois chame esse sistema para conversarmos!".
Na racionalidade burocrática da Modernidade (que não se restringe, nos dias de hoje, à estrutura do Estado) é assim: tudo é culpa do "sistema". A Modernidade/a técnica forclui, exclui, extirpa o sujeito. Não há responsabilidade naquilo que se ocupa, naquilo que se fala. Na fala, não há sujeito implicado (isso para a psicanálise é a morte!). Daí fica fácil dizer que foi o "sistema"; no Direito, essa ideia se consubstancia na fala "é a lei, não sou eu, não posso fazer nada". Um sintoma bem representativo disso tudo são os perfis que fazem no facebook, anônimos; e daí as pessoas saem injuriando a tudo e a todos. Mas... quem é que fala? Ninguém! Não há sujeito! Há um "não lugar", um lugar neutro, um "Lugar Fundamental".
Viva a tecnocracia!

Danilo Cruz. disse...

Eis a pós-modernidade!