terça-feira, 27 de maio de 2014

A vida só é possível reinventada...

 Reinvenção

A vida só é possível reinventada.

Anda o sol pelas campinas
 e passeia a mão dourada
pelas águas, pelas folhas...
Ah! tudo bolhas
que vem de fundas piscinas
de ilusionismo... — mais nada.

Mas a vida, a vida, a vida,
a vida só é possível
reinventada.


Vem a lua, vem, retira
as algemas dos meus braços.
Projeto-me por espaços
cheios da tua Figura.
Tudo mentira! Mentira
da lua, na noite escura.

Não te encontro, não te alcanço...
Só — no tempo equilibrada,
desprendo-me do balanço
que além do tempo me leva.
Só — na treva,
fico: recebida e dada.

Porque a vida, a vida, a vida,
a vida só é possível
reinventada.
Cecília Meireles

domingo, 25 de maio de 2014

É tão difícil para o sábio adquirir riquezas - como é difícil para o rico adquirir sabedoria...


Poema 81 - Sabedoria pelo desapego

Palavras verdadeiras não são lisonjeiras.
Palavras lisonjeiras não são verdadeiras.
O homem de bem não fala muito.
Quem fala muito não é homem de bem.
Homens sábios não são eruditos,
Homens eruditos não são sábios.

Quem trilha o caminho da perfeição
Não acumula tesouros.

Riqueza é para o sábio
O que ele faz pelos outros.

Quanto mais ele dá aos outros,
Tanto mais rico se torna.

Assim como de Tao brota a vida,
Assim age o sábio
Sem ferir ninguém.

Lao-Tsé
Tao Te Ching - São Paulo: Martin Claret, ed. 5ª, 2013, p. 148.

sábado, 24 de maio de 2014

Diálogo atemporal... - Da série: "Filosofia achada na rua"

Inscrição de muro próximo ao "Viaduto do Mafuá" na Av. Miguel Rosa - Teresina-PI.

quinta-feira, 22 de maio de 2014

terça-feira, 20 de maio de 2014

domingo, 18 de maio de 2014

A difícil arte de ser professor de processo...


Meus Caros,

Leiam este lúcido texto do Prof. Dierle Nunes e tirem suas conclusões...

Atenciosamente,

Danilo. 


caos - serenidade - existência


Quando estiver em meio ao caos, esteja sempre ciente de que ele vai passar - então relaxe, respire e simplesmente aceite-o.
(...)
Permaneçamos serenos às mudanças.
(...)
Devemos encontrar a perfeita existência através da existência imperfeita.

terça-feira, 13 de maio de 2014

LISBON REVISITED (1923) - Álvaro de Campos

LISBON REVISITED (1923)

Não: não quero nada
Já disse que não quero nada.

Não me venham com conclusões!
A única conclusão é morrer.

Não me tragam estéticas!
Não me falem em moral!
Tirem-me daqui a metafísica!
Não me apregoem sistemas completos, não me enfileirem conquistas
Das ciências (das ciências, Deus meu, das ciências!) —
Das ciências, das artes, da civilização moderna!

Que mal fiz eu aos deuses todos?

Se têm a verdade, guardem-na!

Sou um técnico, mas tenho técnica só dentro da técnica.
Fora disso sou doido, com todo o direito a sê-lo.
Com todo o direito a sê-lo, ouviram?

Não me macem, por amor de Deus!

Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável?
Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa?
Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade.
Assim, como sou, tenham paciência!
Vão para o diabo sem mim,
Ou deixem-me ir sozinho para o diabo!
Para que havemos de ir juntos?

Não me peguem no braço!
Não gosto que me peguem no braço. Quero ser sozinho.
Já disse que sou sozinho!
Ah, que maçada quererem que eu seja de companhia!

Ó céu azul — o mesmo da minha infância —
Eterna verdade vazia e perfeita!
Ó macio Tejo ancestral e mudo,
Pequena verdade onde o céu se reflecte!
Ó mágoa revisitada, Lisboa de outrora de hoje!
Nada me dais, nada me tirais, nada sois que eu me sinta.

Deixem-me em paz! Não tardo, que eu nunca tardo...
E enquanto tarda o Abismo e o Silêncio quero estar sozinho!


Álvaro de Campos
(Fernando Pessoa - Lisbon Reviseted)
1923 - Poesias de Álvaro de Campos. Fernando Pessoa. Lisboa: Ática, 1944 (imp. 1993). - 247

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Imperdível a entrevista com o Prof. Solimar Oliveira Lima na revista Revestrés - Maio de 2014

https://pt-br.facebook.com/pages/Revista-Revestr%C3%A9s/165668750170802

Cantares - Antonio Machado

Cantares

Tudo passa e tudo fica,
porém o nosso é passar,
passar fazendo caminhos,
caminhos sobre o mar.

Nunca persegui a glória,
nem deixar na memória
dos homens minha canção,
eu amo os mundos sutis,
leves e gentis,
como bolhas de sabão.

Gosto de vê-las pintar-se
de sol e grená, voar
sob o céu azul, tremer
subitamente e quebrar…

Nunca persegui a glória.

Caminhante, são tuas pegadas
o caminho e nada mais;
caminhante, não há caminho,
faz-se o caminho ao andar

Ao andar se faz caminho
e ao voltar os olhos para trás
se vê a senda que nunca
se há de voltar a pisar.

Caminhante não há caminho
senão marcas no mar…

Faz algum tempo neste lugar
onde hoje os bosques se vestem de espinhos
se ouviu a voz de um poeta gritar
“Caminhante não há caminho,
faz-se caminho ao andar”…

Golpe a golpe, verso a verso…

Morreu o poeta longe do lar
cobre-lhe o pó de um país vizinho.
Ao afastar-se lhe viram chorar
“Caminhante não há caminho,
faz-se caminho ao andar…”

Golpe a golpe, verso a verso…

Quando o pintassilgo não pode cantar.
Quando o poeta é um peregrino.
Quando de nada nos serve rezar.
“Caminhante não há caminho,
se faz caminho ao andar…”

Golpe a golpe, verso a verso.

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Pensamento para 07.05.2014


Não abra a boca se o que tens a dizer não for mais belo que o silêncio!

Provérbio Oriental

Nota: 07.05 é o dia do silêncio.

Filosofia para 07.05.2014


Devemos agir de acordo com a nossa vontade apenas dentro dos limites da nossa natureza.
Devemos usar o que é naturalmente útil e fazer o que espontaneamente podemos fazer sem interferir na nossa natureza.
A felicidade é essa «não-acção» perfeita (wu wei 無為 ).

segunda-feira, 5 de maio de 2014

domingo, 4 de maio de 2014

O pensamento de Mario Vargas Llosa - Fronteiras do Pensamento

Nota: Após iniciar o vídeo, ativar as legendas clicando no 4º ícone da direita para esquerda localizados no canto inferior direito de cada vídeo

Luc Ferry - Café Filosófico e Fronteiras do Pensamento.

"O mundo fora de prumo: Transformação social e teoria política em Shakespeare" - Dr. José Garcez Ghirardi em entrevista à Rádio Jovem Pan