terça-feira, 2 de setembro de 2014

Fragmentos - filosofia, música e literatura...

1 - Fragmentos para hipótese:
Amor-Paixão; Amor-Dor; Destino; Amor Fati (amor ao destino).

2 - Referenciais teóricos:
Luc Ferry; Forró Desejo de Menina; Fiodor Dostoiévski, Paulo Leminski e Nietzsche.

3 - Aplicação Teórica: 
Amor-Paixão
i) "Da filosofia epicurista como doutrina da salvação - Num primeiro momento, a resposta de Epicuro e de Lucrécio reside na célebre distinção entre três tipos de desejo: os desejos naturais e necessários, como a fome e a sede; os desejos naturais, mas não necessários, como a sexualidade; e, enfim, os desejos não naturais e não necessários, que animam o divertimento e a corrida das vaidades: riqueza, honrarias, poder ou glória. A tese do epicurismo diz que certamente é sábio limitar-se ao essencial, aos primeiros, que, além de tudo, têm a gentileza de serem fáceis de satisfazer. Os segundos são admissíveis, sem dúvida, mas com moderação, porque eles levam ao amor que, quando se transforma em paixão, com certeza nos mergulha na infelicidade (decididamente, os epicuristas não estão, também nesse ponto, distantes dos estoicos). Quanto aos desejos não naturais nem necessários, como já compreendemos, devemos fugir deles como o diabo da cruz, já que eles nos fazem entrar numa lógica mortífera: a do tempo que passa em vão."
Luc Ferry.
in A Revolução do Amor: por uma espiritualidade laica, Rio de Janeiro: Objetiva, 2012.

 ii) Paixão Fatal - Desejo de Menina



Amor-Dor

"Será que (...) só podemos viver com a dor ou graças a ela? Não sabemos amar de outro modo nem conhecemos outro amor. Eu quero dor para poder amar..."
Fiodor Dostoiévski.
in Sonho de um homem ridículo - obra completa - vol. IV - Trad. Nathália Nunes e Oscar Mendes, Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2008, p. 1222.
*(Ver nota abaixo)*


Destino

 Paulo Leminski.


Amor Fati (amor ao destino)
“...Eu ainda vivo, eu ainda penso: ainda tenho de viver, pois ainda tenho de pensar. Sum, ergo cogito: cogito, ergo sum [Eu sou, portanto penso: eu penso, portanto sou]. Hoje, cada um se permite expressar o seu mais caro desejo e pensamento: também eu, então, quero dizer o que desejo para mim mesmo e que pensamento, (...), me veio primeiramente ao coração – que pensamento deverá ser para mim razão, garantia e doçura de toda a vida que me resta! Quero cada vez mais aprender a ver como belo aquilo que é necessário nas coisas: – assim me tornarei um daqueles que fazem belas as coisas. Amor fati [amor ao destino]: seja este, doravante, o meu amor! Não quero fazer guerra ao que é feio. Não quero acusar, não quero nem mesmo acusar os acusadores. Que a minha única negação seja desviar o olhar! E, tudo somado e em suma: quero ser, algum dia, apenas alguém que diz Sim!" 
 Nietzsche, Gaia Ciência, §276.
 
 4 - Tese:

Amor-Paixão > Amor-Dor > Amor Fati
______________
* NOTA: A tradução da obra "Sonho de um homem ridículo" feita por Vadim Nikitin e publicada pela Editora 34, 3ª ed. 2011, traz em substitutivo à palavra "dor" a palavra "tormento", o que em nossa lucubração geraria o composto "amor-tormento", entretanto, o composto "amor-dor" derivado da tradução da Nova Aguilar adequa-se de forma mais pertinente ao desenvolvimento da ideia.


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