domingo, 23 de junho de 2013

Ferrajoli - Direito Penal Mínimo

Ferrajoli - Direito Penal Mínimo by Salo de Carvalho

O amor, quando se revela - Fernando Pessoa


O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p’ra ela,
Mas não lhe sabe falar.

Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há-de dizer.
Fala: parece que mente…
Cala: parece esquecer…

Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
P’ra saber que a estão a amar!

Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala
Fica só inteiramente!

Mas se isto puder contar-lhe,
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar…
In Poesia 1918-1930 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Sobre extravagâncias, vícios e manias...



"... que faz dignas da humana curiosidade e admiração certas extravagâncias e até certos vícios dos grandes homens é a sua própria grandeza e não as suas qualidades extravagantes ou viciosas; os homens vulgares ou medíocres também tem extravagâncias, vícios e manias, que só não se tornam notórios porque seus praticantes também não o são..."


DOSTOIÉVSKI, Fiodor. Obras completas -  V1 - Vida e Obra. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2008. Pag. 26.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

(...)pelos caminhos que ando(...) - Paulo Leminski


pelos caminhos que ando
um dia vai ser
só não sei quando

Livro Toda Poesia, Editora Companhia das Letras, 2013, p. 235.

sábado, 15 de junho de 2013

quarta-feira, 12 de junho de 2013

domingo, 9 de junho de 2013

"Vivemos a época da tolerância" - Luis Roberto Barroso.

Ler ou não ler, eis a questão - Por Luiz Felipe Pondé




Você gosta de Dostoiévski? Se a resposta for "não", o problema está em você, nunca nele. Uma coisa que qualquer pessoa culta deve saber é que Dostoiévski (e outros grandes como ele) nunca está errado, você sim.

Se você o leu e não gostou, minta. Procure ajuda profissional. Nunca diga algo como "Dostoiévski não está com nada" porque queima seu filme. 

Costumo dizer isso para meus alunos de graduação. Eles riem. Aliás, um dos grandes momentos do meu dia é quando entro numa sala com uns 30 deles. Inquietos, barulhentos, desatentos, mas sempre prontos a ouvir alguém que tem prazer em estar com eles. Parte do pouco de otimismo que experimento na vida (coisa rara para um niilista... risadas) vem deles.

Devido a essa experiência, costumo rir de muito blá-blá-blá que falam por aí sobre "as novas gerações".

Um exemplo desse blá-blá-blá são os pais e professores dizerem coisas como: "Essa moçada não lê nada". 

Na maioria dos casos, pais e professores também não leem nada e posam de cultos indignados. A indignação, depois da Revolução Francesa, é uma arma a mais na mão da hipocrisia de salão.

Mas há também aqueles que dizem que a moçada de hoje é "superavançada". Não vejo nenhuma grande mudança nessa moçada nos últimos 15 anos. Mesmas mazelas, mesmas inquietações do dia a dia. 

Nada mais errado do que supor que eles exijam "tecnologia de ponta" na sala de aula (a menos que a aula seja de tecnologia, é claro). Atenção: com isso não quero dizer que não seja legal a tal "tecnologia de ponta". Quero dizer que "tecnologia de ponta" eles têm "na balada". O que eles não têm é Dostoiévski. 

O "amor pela tecnologia" é sempre brega assim como constatamos o ridículo de filmes com "altíssima tecnologia de ponta" comum nos anos 80 e 90 (tipo "Matrix"). Hoje, tudo aquilo parece batedeira de bolo dos anos 50. O que hoje você acha "sublime" na histeria dos tablets, amanhã será brega como os computadores dos anos 80.

Dostoiévski é eterno como a morte. Mas eis que lendo uma excelente entrevista com um psicólogo professor de Yale na página de Ciência desta Folha da última terça (19) encontro um dos equívocos mais comuns com relação a Dostoiévski. 

O professor afirma que agir moralmente bem não depende de crenças religiosas. Corretíssimo. Qualquer um que estudar filosofia moral e história saberá que acreditar em Deus ou não nada implica em termos de "melhor" comportamento moral. Crentes e ateus matam, mentem e roubam da mesma forma. 

E mais: se Nietzsche estivesse vivo veria que hoje em dia -época em que ateus são comuns como bananas nas feiras- existe também aquele que vira ateu por ressentimento.

Nietzsche acusa os cristãos de crerem em Deus por ressentimento (o cristianismo é platonismo para pobre). Temos medo da indiferença cósmica, daí "inventamos" um dono do Universo que nos ama e, ao final, tudo vai dar certo.

Quase todos os ateus que conheço o são por trauma de abandono cósmico. Se o religioso é um covarde assumido, esse tipo de ateu (muito comum) é um "teenager" revoltado contra o "pai".

Mas voltando ao erro na leitura de Dostoiévski. Do fato que religião não deixa ninguém melhor, o professor conclui que Dostoiévski estava errado quando afirmou que "se Deus não existe, tudo é permitido". Erro clássico.

Essa afirmação de Dostoiévski não discute sua crença, nem o consequente comportamento moral decorrente dela (como parece à primeira vista). Ela discute o fato de que, pouco importando sua crença, se Deus não existe, não há cobrança final sobre seus atos. O "tudo é permitido" significa que não haveria "um dono do Universo" para castiga-lo (ou não), dependendo do que você fizesse.

Claro que isso pode incidir sobre seu comportamento moral, mas apenas secundariamente. A questão dostoievskiana é moral e universal, não pessoal. Pouco importa sua crença, a existência ou não de Deus independe dela, e as consequências de sua existência (ou não) cairão sobre você de qualquer jeito. O problema é filosófico, e não psicológico.

O cineasta Woody Allen entendeu Dostoiévski bem melhor do que o professor.

Luiz Felipe Pondé - Debate "O Politicamente Correto"

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Viva feliz, leia Vinicius de Moraes.


O que é que tem sentido nesta vida 

(...)
Para muitos é o dinheiro
Ir de janeiro a janeiro
De pé no acelerador
Eu sinceramente, preferia
Uma vida de poesia
Na vigília de um amor

Há quem creia em ter status
Sair em fotos & fatos
Ter ações ao portador
Eu só acredito em liberdade
E estar sempre com saudade
De viver um grande amor
.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Se alguém me perguntasse: Por que ler Dostoiévski? Eu responderia: - Por que não ler Dostoiévski?

 (clique na imagem para ampliar)
 
Até uns três anos atrás a Literatura Russa era para mim algo impensado. Um pré-conceito sobre o abismo cultural entre o que eu costumava ler de Literatura Brasileira e Portuguesa e o que eu imaginava da Literatura Russa mostrava-se como algo intransponível, não obstante eu comungar de um ideal multiculturalista. Então, entra o Direito na conversa.

Lendo um artigo jurídico sobre direitos da personalidade me deparei com algumas notas explicativas de rodapé em que o autor fazia menção à obra Crime e Castigo de Fiódor Mikhailovich Dostoiévski, essas notas me incitaram a buscar, na internet, informações sobre o autor e a obra, por fim, resolvi comprar a versão de bolso editado pela L&PM do livro Crime e Castigo, me debruçando sobre o livro com a devida atenção descobri, a partir daí, um novo horizonte.

A natureza psicológica de seus romances conectaram-se imediatamente com o que eu já havia lido de Albert Camus, Sartre, Nietzsche e Schopenhauer. A visão inegavelmente existencialista revela a preocupação exclusiva de Dostoiévski com o tema único ao qual consagrou a sua força criadora, o homem e o seu destino... para ele o homem é um microcosmo, o centro do ser, um sol em torno do qual tudo se move. Não consegui e ainda não consigo saber se Dostoiévski era um Filósofo-Literato ou um Literato-Filósofo, mas uma coisa eu tenho certeza, ninguém passa intato à sua obra!

Já lí Memórias do Subsolo, Recordações da Casa dos Mortos e Crime e Castigo, assim, diante da necessidade inexorável de mergulhar ainda mais no mundo dostoievskiano adquiri a obra completa editada pela Nova Aguilar, um inestimável tesouro. 

Se alguém me perguntasse: - Por que ler Dostoiévski? 
Eu responderia: - Por que não ler Dostoiévski?

Abraço a todos,

Danilo N. Cruz.


P.S. - Dentro do espírito do post, segue imagem muito legal que colhi do site www.pseudointelectual.com.br

(clique na imagem para ampliar)