domingo, 21 de outubro de 2012

Verdade Chinesa - Diogo Nogueira


(...)
Muita coisa a gente faz
Seguindo o caminho
Que o mundo traçou
Seguindo a cartilha
Que alguém ensinou
Seguindo a receita
Da vida normal...
(...)
Senta, se acomoda
a vontade, tá em casa
Toma um copo, dá um tempo
Que a tristeza vai passar
Deixa, pra amanhã
Tem muito tempo
O que vale
É o sentimento
E o amor que a gente
Tem no coração...
(...)

5 comentários:

Dyego Phablo disse...

Boa música professor. Interessante essas estrofes. Na primeira, a gente percebe traços da razão, da racionalidade, onde temos palavras como "cartilha", "receita" e "vida normal". Cartilha e receita dão uma ideia de método, de caminho racional a ser seguido, trilhado. Esse caminho/método se daria através de uma "vida normal", onde podemos contrapor com o conceito de anormalidade. Então o normal é o usual, o comum. O anormal, o deslocado, o não-comum. Na segunda estrofe, por sua vez, temos palavras que consubstanciam o oposto: a questão da subjetividade, do emotivo, do não-racional, onde podemos perceber esses traços em palavras como "sentimento", "amor" e "coração". Então, "dá um tempo, que a tristeza vai passar (...) O que vale é o sentimento / E o amor que a gente tem no coração". Resumindo: o eterno embate entre razão/ciência/objetividade e emoção/subjetividade/ego. A música que melhor retrata isso, creio que seja a música "A fábula" dos Engenheiros do Hawaii.

Danilo N. Cruz disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Danilo N. Cruz disse...

Grande Dyego Phablo,

Senti sua ausência em sala esta semana.

Realmente meu caro, sua acuidade perceptiva não falhou, esta imposição social de seguir a vida de gado cantada por Zé Ramalho, dentro de uma lógica ilógica, de viver a toque de caixa, sem parar, pensar, observar, sentir, acaba por fazer com que o homem não perceba que o tempo passa e ele não vive, apenas segue a cartilha que a vida standartizada impõe. Sem entrar na concepção de heidegger que meu superficial conhecimento me limita, mas dentro de uma visão estoicista em simbiose com o existencialismo sartriano/camusiano posso fazer a seguinte afirmação "é necessário viver retamente(seneca) dentro de subjetivismo absurdamente(Camus), humano(Nietzsche) e livre(Sartre)". Isso é viver afinal afirmou Sartre "estamos condenados a ser livres".

Abraço,

Danilo.

Dyego Phablo disse...

Pois é prof., é que na semana passada tiver que vir pra Teresina. Inclusive ainda estou aqui, resolvendo umas coisas.

Essa frase sua realmente ficou muito legal: viver retamente dentro de um subjetivismo absurdamente humano e livre. A frase quer englobar, creio, as "duas-formas-de-vida": a vida real/objetiva ("retamente") e a vida do subjetivo/eu ("subjetivo absurdo e livre"). Dia desses tava lendo uma resenha do livro "O Direito e o Avesso do Albert Camus", onde a autora fala do aspecto, de certa forma, niilista presente na obra camusiana. Mas, por outro lado, o Camus, segundo a autora, não defendia que a vida fosse vivida como se somente fosse uma "arte". Tipo uma oba-oba. Ele defende, também, o lado realista da vida. Então... temos que sempre equilibrar os dois lados, pra não pender demais nem pra um, nem pra outro. A virtude do equilíbrio...

Danilo N. Cruz disse...

É fato Diego, a filosofia Camusiana se retrata muito mais na consciência que o homem deve ter da realidade e da responsabilidade de viver essa realidade ciente de que existem situação não controláveis que podem revelar-se absurdas para este mesmo homem... Particularmente discordo de qualquer traço niilista em Camus... Ele acreditava no ser humano... Cada homem é um universo com seus absurdos, vejo Camus com outros olhos!
Abraço,

Danilo