quarta-feira, 27 de abril de 2011

Se eu fosse um padre - Mário Quintana

Se eu fosse um padre

Se eu fosse um padre, eu, nos meus sermões,
não falaria em Deus nem no Pecado
— muito menos no Anjo Rebelado
e os encantos das suas seduções,

não citaria santos e profetas:
nada das suas celestiais promessas
ou das suas terríveis maldições...
Se eu fosse um padre eu citaria os poetas,

Rezaria seus versos, os mais belos,
desses que desde a infância me embalaram
e quem me dera que alguns fossem meus!

Porque a poesia purifica a alma
...e um belo poema — ainda que de Deus se aparte —
um belo poema sempre leva a Deus!
(Texto extraído do livro "Nova Antologia Poética", Editora Globo - São Paulo, 1998, pág. 105.)

2 comentários:

Renata Rodrigues Ramos disse...

Que delicadeza de poema...
Gostaria de conhecer esse tipo de padres; geralmente os convencionais me dão sono!

Danilo N. Cruz disse...

Em delicadeza Quintana é sem igual!