sábado, 20 de novembro de 2010

Soneto Depois da Luta - Da Costa e Silva - Livro Sangue

Tenho no peito, abertas, mais de vinte
Chagas de dor e triste já descambo
Do Palácio do Amor, ferido e bambo,
Sofrendo ainda o derradeiro acinte...

As mulheres que, em lúgubre requinte,
Me mostraram as faces cor de jambo
E que eu cantei, em doce ditirambo,
Me apunhalaram na manhã seguinte.

Meu amor não foi mas que um suplício...
Em lugar dos prazeres que eu previa,
Achei as falsas bacanais do vício.

Hoje vou pela vida triste e langue.
Ai! se eu soubesse nunca o transporia...
Vede este chão... é sangue! sangue! sangue!

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